Módulo 2 · Aula 2 de 6

Profissional de saúde com luvas medindo a pressão arterial de um paciente com aparelho digital Omron

Sinais Vitais Normais por Faixa Etária em Pediatria

Palavras-chave: sinais vitais pediátricos, frequência cardíaca normal por idade, frequência respiratória normal por idade, pressão arterial normal pediátrica, valores de referência PALS, tabela sinais vitais criança


Resposta rápida: quais os sinais vitais normais por idade em pediatria?

Não existe um valor único de "normal" em pediatria — os limites de frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial mudam com a idade, e interpretar um sinal vital fora de contexto etário é uma fonte comum de erro. Use a tabela abaixo como referência rápida à beira-leito, mas lembre-se: a tendência ao longo do tempo e o contexto clínico importam mais que um valor isolado.


Por que sinais vitais pediátricos exigem interpretação por idade

Um recém-nascido com FC de 90 bpm pode estar em bradicardia grave, enquanto a mesma frequência é normal — ou até esperada durante o sono — em um adolescente. Avaliar sinais vitais fora do contexto etário é uma armadilha clínica clássica na avaliação primária PALS. Os valores abaixo refletem faixas amplamente usadas em treinamento PALS/AHA como referência prática.


Frequência cardíaca normal por idade (em repouso, criança acordada)

IdadeFC normal (bpm)
Recém-nascido (0–1 mês)100–180
Lactente (1–12 meses)100–160
Criança pequena (1–3 anos)90–150
Pré-escolar (3–5 anos)80–140
Escolar (6–11 anos)70–120
Adolescente (≥ 12 anos)60–100

Durante o sono, a FC pode ser 10–20 bpm menor que os valores acima sem representar bradicardia patológica.

Frequência respiratória normal por idade

IdadeFR normal (irpm)
Recém-nascido (0–1 mês)30–60
Lactente (1–12 meses)30–53
Criança pequena (1–3 anos)22–37
Pré-escolar (3–5 anos)20–28
Escolar (6–11 anos)18–25
Adolescente (≥ 12 anos)12–20

Veja a discussão completa sobre interpretação clínica em frequência respiratória ideal na RCP pediátrica.

Pressão arterial sistólica mínima aceitável por idade (limite inferior de hipotensão)

Uma regra prática usada no PALS para o limite inferior de PA sistólica normal em crianças de 1 a 10 anos:

PAS mínima (mmHg) = 70 + (2 × idade em anos)

IdadePAS mínima aproximada
Recém-nascido a termo> 60 mmHg
Lactente (1–12 meses)> 70 mmHg
1–10 anos70 + (2 × idade)
> 10 anos> 90 mmHg

Importante: hipotensão é um sinal tardio de choque em pediatria — a criança pode estar em choque descompensado com pressão arterial ainda "normal" por mecanismos compensatórios eficazes (taquicardia, vasoconstrição periférica). Não espere hipotensão para reconhecer choque; veja o que é choque e os sinais de choque compensado vs descompensado.


Como usar esses valores na prática

  1. Compare sempre com a faixa etária correta, não com um número fixo memorizado.
  2. Observe a tendência, não apenas o valor isolado — uma FC subindo progressivamente é tão importante quanto um valor único fora da faixa.
  3. Correlacione com perfusão e estado mental — sinais vitais anormais associados a má perfusão ou alteração de consciência indicam descompensação e exigem ação imediata.
  4. Taquicardia isolada quase sempre tem causa tratável (febre, dor, hipovolemia) antes de ser considerada arritmia primária — veja taquicardia pediátrica: sinusal vs SVT.

Perguntas rápidas sobre sinais vitais pediátricos

Qual a frequência cardíaca considerada bradicardia grave em criança?

Depende da idade, mas a regra de alerta universal do PALS é FC < 60 bpm com sinais de má perfusão em qualquer faixa etária pediátrica, o que já indica início de RCP. Veja o algoritmo completo em bradicardia pediátrica.

Pressão arterial normal exclui choque em criança?

Não. A pressão arterial é um sinal tardio em choque pediátrico compensado — a criança pode manter PA normal às custas de taquicardia e vasoconstrição intensas. Avalie sempre perfusão periférica, tempo de enchimento capilar e estado mental junto com a PA.

Por que a frequência respiratória de referência muda tanto do recém-nascido ao adolescente?

Porque a demanda metabólica por kg de peso é muito maior em lactentes, exigindo frequências respiratórias mais altas para sustentar as trocas gasosas. Essa diferença fisiológica é a base de por que valores "normais" para adulto seriam anormais em um lactente.


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