Índice do conteúdo
- O que é a Avaliação Primária no Suporte Avançado de Vida em Pediatria?
- O que é a Avaliação Primária no PALS?
- A – Airway (Via Aérea)
- B – Breathing (Respiração)
- C – Circulation (Circulação)
- D – Disability (Estado neurológico)
- E – Exposure (Exposição)
- Fluxo completo da Avaliação Primária (Resumo)
- Quando repetir a Avaliação Primária?
- Conclusão
- Perguntas rápidas sobre a avaliação primária (XABCDE)
- Continue aprendendo
Módulo 3 · Aula 1 de 6

Avaliação Primária no PALS: o XABCDE Pediátrico Completo
Por Carlos Felipe — Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 11 de abril de 2025
Palavras-chave: avaliação primária, ABCDE pediátrico, protocolo PALS, emergência infantil, parada cardiorrespiratória em crianças, abordagem inicial pediátrica, suporte avançado de vida em pediatria
O que é a Avaliação Primária no Suporte Avançado de Vida em Pediatria?
A Avaliação Primária é um dos pilares do PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria), e serve como guia de ação sistemática para qualquer profissional da saúde diante de uma emergência pediátrica.
Seja no pronto-socorro, no transporte, na UTI ou até mesmo em atendimento pré-hospitalar, o ABCDE do PALS ajuda a priorizar intervenções, detectar situações de risco iminente e salvar vidas — literalmente minuto a minuto.
Neste post, você vai aprender:
- O que é a Avaliação Primária e qual seu objetivo
- Cada componente do ABCDE explicado com profundidade
- Tabelas com sinais de alerta por sistema
- Dicas práticas para aplicar no plantão
- Relação com melhores desfechos clínicos
O que é a Avaliação Primária no PALS?
A Avaliação Primária é uma abordagem sistematizada que segue a sequência:
X - Hemorragia ou sangramentos A – Airway (Via Aérea)
B – Breathing (Respiração)
C – Circulation (Circulação)
D – Disability (Estado neurológico)
E – Exposure (Exposição e exame completo)
Essa sequência permite detectar e corrigir rapidamente ameaças à vida com base em prioridades fisiológicas.
Dica prática: O ABCDE deve ser aplicado em minutos, repetido sempre que houver mudança no estado clínico, e antes e depois de qualquer intervenção.
A – Airway (Via Aérea)
Avalie se a via aérea está:
- Aberta
- Patente
- Protegida
Sinais de obstrução de via aérea:
| Sinais | Interpretação |
|---|---|
| Estridor inspiratório | Obstrução em via aérea superior |
| Sons ausentes | Obstrução grave ou completa |
| Retração esternal/subcostal | Sinal de esforço respiratório aumentado |
| Incapacidade de falar ou chorar | Obstrução completa ou quase completa |
Crianças têm via aérea anatomicamente menor e mais suscetível a colapsos — intervenha cedo!
Condutas imediatas possíveis:
- Reposicionamento da cabeça/pescoço
- Aspiração de secreções
- Abertura com cânula orofaríngea ou nasofaríngea
- Intubação orotraqueal, se indicada
B – Breathing (Respiração)
Avalie frequência, esforço respiratório, oxigenação e ausculta pulmonar.
Principais parâmetros:
| Parâmetro | Valor esperado | Alerta de gravidade |
|---|---|---|
| FR por idade | Ver tabela abaixo | Taquipneia ou bradipneia |
| SpO₂ | ≥ 94% | < 90% em ar ambiente |
| Sons respiratórios | Bilaterais e simétricos | Assimétricos ou ausentes |
| Uso de músculos acessórios | Ausente | Presente (retrações, batimento de asa nasal) |
Veja também: Frequências respiratórias ideais na RCP pediátrica
Intervenções possíveis:
- Suplementação de O₂ (cânula, máscara ou bolsa-válvula-máscara)
- Ventilação assistida (BVM)
- Via aérea avançada, se necessário
C – Circulation (Circulação)
Avalie perfusão central e periférica:
- Frequência cardíaca
- Pulsos centrais/periféricos
- Tempo de enchimento capilar (TEC)
- Pressão arterial
- Cor da pele e temperatura
Sinais de choque:
| Sinais clínicos | Interpretação |
|---|---|
| Pele fria e pálida | Hipoperfusão periférica |
| TEC > 2 segundos | Débito cardíaco reduzido |
| Pulsos fracos/periféricos | Baixo volume sistólico |
| Alteração do nível de consciência | Hipoperfusão cerebral |
Choque pode estar presente mesmo com PA normal → atenção ao TEC e perfusão!
Condutas possíveis:
- Acesso venoso ou intraósseo
- Reposição volêmica (20 mL/kg de SF 0,9% em 5 a 10 minutos)
- Administração de Epinefrina em casos de choque refratário ou PCR, conforme dose por peso em dosepediatrica.com.br
D – Disability (Estado neurológico)
Avalie o estado neurológico da criança de forma rápida com o AVPU:
| Letra | Significado | Resposta esperada |
|---|---|---|
| A | Alert (Alerta) | Interage adequadamente |
| V | Voice (Voz) | Reage apenas ao chamado |
| P | Pain (Dor) | Responde apenas à dor |
| U | Unresponsive | Não responde a estímulo |
Alterações neurológicas podem indicar hipóxia, hipoglicemia, trauma craniano ou choque cerebral.
Condutas adicionais:
- Verificar glicemia capilar
- Corrigir hipoglicemia (< 60 mg/dL) com dextrose EV
- Avaliar pupilas, fontanela e rigidez de nuca (se indicado)
E – Exposure (Exposição)
- Remova as roupas da criança para examinar completamente
- Busque por:
- Sinais de trauma
- Sangramentos ocultos
- Lesões por queimaduras
- Petéquias ou púrpuras (ex. meningococcemia)
Após exame completo, reaqueça a criança com cobertores. A hipotermia pode agravar o choque e a acidose.
Fluxo completo da Avaliação Primária (Resumo)
- x - Busca por hemorragias ou sangramentos
- A – Verificar e proteger a via aérea
- B – Avaliar esforço respiratório e oxigenação
- C – Avaliar perfusão e sinais de choque
- D – Avaliar nível de consciência
- E – Expor e examinar totalmente
Quando repetir a Avaliação Primária?
- Sempre que houver mudança clínica súbita
- Após qualquer intervenção (ex: intubação, administração de medicamentos)
- A cada 5 minutos em pacientes críticos, ou conforme necessidade
Conclusão
A Avaliação Primária no PALS é a base de uma abordagem segura, eficaz e priorizada em emergências pediátricas. Quando bem executada, ela:
- Antecipa deteriorações clínicas
- Direciona condutas imediatas
- Salva vidas
Profissionais que dominam o XABCDE são mais rápidos, eficientes e preparados para o inesperado.
Perguntas rápidas sobre a avaliação primária (XABCDE)
Qual a ordem correta do XABCDE no PALS?
X (hemorragia exsanguinante) → A (via aérea) → B (respiração) → C (circulação) → D (estado neurológico) → E (exposição). A letra X foi incorporada para priorizar o controle de sangramentos maciços e visíveis antes mesmo da via aérea, quando presentes.
Com que frequência devo repetir a avaliação primária?
Repita a cada 5 minutos em pacientes críticos, sempre após qualquer intervenção (intubação, administração de medicação, procedimento) e sempre que houver mudança clínica súbita. A reavaliação constante é o que diferencia atendimento reativo de atendimento antecipatório.
Qual a diferença entre avaliação primária e avaliação secundária no PALS?
A avaliação primária (XABCDE) identifica e trata ameaças imediatas à vida. A avaliação secundária, com o método SAMPLE, é feita depois de estabilizado o paciente, e aprofunda a história clínica e o exame físico para direcionar o diagnóstico definitivo.
Continue aprendendo
Veja também:
- Função da Epinefrina na RCP
- Frequência Respiratória Ideal na RCP Pediátrica
- Sinais Vitais Normais por Faixa Etária
- Choque Compensado vs Descompensado
- O que é o PALS?