Índice do conteúdo

Módulo 6 · Aula 3 de 7

Ampolas de medicação injetável e seringa preenchida dispostas sobre fundo preto

A função da epinefrina (adrenalina) na RCP pediátrica

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 11 de abril de 2025

TAGS: epinefrina na RCP, adrenalina na parada cardiorrespiratória, uso precoce de epinefrina, PALS atualizado, perfusão cerebral, parada cardíaca pediátrica, fármaco na reanimação, adrenalina e sobrevida


Introdução

A epinefrina (conhecida também como adrenalina) é um dos medicamentos mais críticos durante a reanimação cardiopulmonar (RCP), especialmente em contextos pediátricos. Os protocolos mais recentes do PALS (Pediatric Advanced Life Support) reforçam que o uso precoce da epinefrina, preferencialmente dentro dos primeiros 5 minutos de RCP, está associado a maiores taxas de retorno da circulação espontânea (ROSC) e melhores desfechos neurológicos.

Neste post, você vai entender como a epinefrina atua no organismo durante a RCP, sua função como agente de perfusão coronariana e cerebral, e por que a administração precoce pode ser decisiva para a sobrevida de crianças em parada cardiorrespiratória.


Mecanismo de ação da epinefrina na RCP

Durante a parada cardiorrespiratória, há queda abrupta da perfusão tecidual, o que compromete órgãos vitais como o cérebro e o coração. A epinefrina, ao ser administrada durante a RCP, age por meio de receptores alfa e beta-adrenérgicos, promovendo efeitos cruciais para a reanimação:

1. Vasoconstrição periférica (Receptores alfa-1)

  • Aumenta a pressão de perfusão coronariana.
  • Direciona o fluxo sanguíneo para órgãos vitais, principalmente coração e cérebro.
  • Essencial para gerar um fluxo mínimo necessário para o retorno da circulação espontânea (RCE, segundo o PALS).

2. Melhora da perfusão cerebral

  • A vasoconstrição periférica preserva o débito sanguíneo cerebral.
  • Isso reduz o risco de lesões neurológicas permanentes, contribuindo para melhores desfechos neurológicos pós-RCP.

3. Estímulo cardíaco (Receptores beta-1)

  • Aumenta a frequência cardíaca e a força de contração miocárdica assim que a circulação retorna.
  • Facilita o restabelecimento de um ritmo cardíaco eficaz.

Por que administrar epinefrina nos primeiros 5 minutos?

De acordo com os guidelines atualizados do PALS, o uso precoce da epinefrina — idealmente nos primeiros 5 minutos de RCP em ritmos não chocáveis (assistolia ou AESP) — está diretamente associado a:

  • Maior chance de ROSC (retorno da circulação espontânea)
  • Melhor perfusão coronariana e cerebral
  • Maior taxa de sobrevivência com boa função neurológica
  • Redução da lesão hipóxica cerebral e dano miocárdico irreversível

Estudos mostram que atrasos na administração da epinefrina estão ligados a menores taxas de sobrevida e piores desfechos neurológicos.


Dose e via de administração recomendadas (PALS 2020+)

  • Dose IV/IO: 0,01 mg/kg a cada 3 a 5 minutos
  • Concentração: 1:10.000 (0,1 mg/mL)
  • Via preferencial: IV ou IO (intraóssea)
  • Administração endotraqueal (via pouco recomendada): só em último caso, com dose de 0,1 mg/kg

A diluição e titulação corretas da medicação são etapas essenciais para a administração segura.

Forma recomendada de preparo:

  • Separe 1mL de epinefrina (ampola de 1mg/mL)
  • Dilua em 9mL de SF 0,9%
  • A solução resultante fica a 0,1mg/mL, conforme recomenda o PALS

Para uma criança de 15kg, a dose corresponde a 1,5mL (0,01 mg/kg × peso da criança). Para 20kg, 2,0mL, e assim sucessivamente.

Peso da CriançaDose diluida (1mg/mL Epinefrina) + 9mL SF 0,9%
1kg0,1mL
3kg0,3mL
5kg0,5mL
10kg1,0mL
20kg2,0mL
505,0mL

Finalizando

A epinefrina continua sendo o principal fármaco na reanimação pediátrica. Seu uso precoce é uma das intervenções com maior impacto na sobrevida de crianças em parada cardiorrespiratória, segundo os protocolos mais recentes do PALS (AHA).

Além de aumentar a perfusão coronariana, ela mantém a oxigenação cerebral e potencializa as chances de um desfecho com mínimas sequelas neurológicas. Por isso, não postergar sua administração é fundamental.


Pontos práticos para a equipe

  • Sempre que possível, prepare a dose de epinefrina enquanto a RCP de alta qualidade é iniciada.
  • Não espere o fim do primeiro ciclo para administrar. O atraso reduz diretamente a chance de retorno da circulação espontânea.


Perguntas rápidas sobre epinefrina na RCP pediátrica

Qual a dose de epinefrina na parada cardiorrespiratória pediátrica?

0,01 mg/kg IV/IO (0,1 mL/kg da solução diluída 1:10.000), repetida a cada 3 a 5 minutos enquanto durar a RCP, conforme os protocolos PALS/AHA.

Epinefrina IV/IO e epinefrina IM são a mesma coisa?

Não. Na PCR, a via é IV/IO com a solução diluída 1:10.000 (0,1 mg/mL), dose 0,01 mg/kg. Já na anafilaxia, a via é intramuscular, com a solução não diluída 1:1.000 (1 mg/mL), dose 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg) — veja o detalhamento em choque distributivo/anafilático. Confundir concentração e via é um erro grave e evitável.

Por que não esperar o fim do primeiro ciclo de RCP para dar epinefrina?

Porque o benefício da epinefrina é tempo-dependente: quanto mais precoce a administração (idealmente dentro dos primeiros 5 minutos em ritmos não chocáveis), maiores as chances de retorno da circulação espontânea (ROSC) e de melhor desfecho neurológico. Prepare a dose enquanto a RCP de alta qualidade já está em curso, sem atrasar compressões.


Tags: epinefrina na RCP, adrenalina na parada cardiorrespiratória, emergência pediátrica, perfusão cerebral, PALS