Índice do conteúdo

Módulo 7 · Aula 2 de 4

Eletrodos de ECG coloridos conectados sobre um traçado impresso de eletrocardiograma

Taquicardia Pediátrica: Sinusal, SVT e Cardioversão

Palavras-chave: taquicardia pediátrica, taquicardia supraventricular, SVT pediátrica, taquicardia sinusal, cardioversão sincronizada, adenosina pediátrica, QRS estreito, QRS largo, algoritmo PALS taquicardia


Resposta rápida: como diferenciar taquicardia sinusal de SVT em criança?

Taquicardia sinusal tem onda P presente e variável, frequência geralmente abaixo de 220 bpm em lactentes (ou 180 bpm em crianças maiores), e história compatível (febre, dor, choro, desidratação, dor). Taquicardia supraventricular (SVT) tem início e término abruptos, frequência tipicamente acima de 220 bpm em lactentes ou acima de 180 bpm em crianças maiores, onda P ausente ou anormal, e não varia com estímulo — não melhora com choro ou manipulação como a sinusal.


Por que essa distinção muda a conduta

Taquicardia sinusal é uma resposta fisiológica a uma causa de base (febre, dor, hipovolemia, hipóxia, ansiedade). O tratamento é da causa, não da frequência cardíaca — como em qualquer avaliação primária ABCDE. SVT é uma arritmia primária e exige tratamento dirigido: manobras vagais, adenosina ou cardioversão, dependendo da estabilidade hemodinâmica.


QRS estreito vs QRS largo

  • QRS estreito (< 0,09s): SVT é a causa mais provável. Segue o algoritmo de manobras vagais → adenosina → cardioversão sincronizada.
  • QRS largo (≥ 0,09s): considere taquicardia ventricular (TV), mais rara em pediatria, mas potencialmente instável. Se houver dúvida diagnóstica com paciente instável, trate como taquicardia ventricular e proceda à cardioversão sincronizada.

Algoritmo PALS: criança estável vs instável

Paciente estável (perfusão preservada, sem alteração de consciência)

  1. Manobras vagais: gelo na face (lactentes) ou Valsalva (crianças maiores capazes de cooperar).
  2. Adenosina IV/IO se manobras vagais falharem — veja a dose completa em dose e uso de adenosina em pediatria.
  3. Reavaliar ritmo após cada intervenção, sem atrasar a próxima etapa se a anterior falhar.

Paciente instável (má perfusão, hipotensão, alteração aguda de consciência)

  1. Cardioversão sincronizada imediata, começando com 0,5 a 1 J/kg; se não reverter, aumentar para 2 J/kg.
  2. Se houver acesso IV/IO já disponível e não atrasar o tratamento, pode-se tentar adenosina antes da cardioversão em SVT de QRS estreito, mas sem retardar a cardioversão no paciente claramente instável.
  3. Sedação, se a condição clínica permitir e não atrasar a cardioversão em paciente crítico.

Cardioversão sincronizada: como funciona

A cardioversão sincronizada entrega o choque sincronizado com o complexo QRS, evitando disparar durante a onda T (o que poderia induzir fibrilação ventricular). É indicada para taquiarritmias com pulso e instabilidade hemodinâmica — diferente da desfibrilação assíncrona usada em FV/TVSP sem pulso. Sempre confirme no desfibrilador que o modo "sincronizado" está ativado antes de disparar.


Dose de adenosina na SVT

  • Primeira dose: 0,1 mg/kg IV/IO em bolus rápido (dose máxima 6 mg), seguida imediatamente por flush de soro fisiológico.
  • Segunda dose (se necessário): 0,2 mg/kg IV/IO em bolus rápido (dose máxima 12 mg).
  • A administração deve ser feita no acesso vascular mais próximo do coração possível, com técnica de "duplo bolus" (droga + flush) pela meia-vida ultracurta da adenosina. Detalhes completos em dose e uso de adenosina em pediatria.

Perguntas rápidas sobre taquicardia pediátrica

Como saber se a taquicardia é sinusal ou SVT rapidamente à beira-leito?

Observe se há onda P antes de cada QRS e se a frequência varia com o exame ou o choro (sugere sinusal) ou é fixa e abrupta em início/fim (sugere SVT). Frequências extremas (> 220 bpm em lactente) e ausência de onda P visível favorecem SVT.

Adenosina pode ser usada em taquicardia sinusal?

Não. Adenosina é indicada para SVT, não para taquicardia sinusal — nesse caso, o tratamento é da causa de base (febre, dor, hipovolemia). Administrar adenosina em taquicardia sinusal não traz benefício e expõe o paciente a um bloqueio AV transitório desnecessário.

Toda taquicardia com QRS largo é taquicardia ventricular?

Não necessariamente — pode ser SVT com condução aberrante, mas em criança instável com QRS largo, a conduta prática e segura é tratar como TV e proceder à cardioversão sincronizada, sem atrasar por diferenciação diagnóstica fina.



Continue aprendendo

Veja também: