Índice do conteúdo
- Resposta rápida: como diferenciar taquicardia sinusal de SVT em criança?
- Por que essa distinção muda a conduta
- QRS estreito vs QRS largo
- Algoritmo PALS: criança estável vs instável
- Paciente estável (perfusão preservada, sem alteração de consciência)
- Paciente instável (má perfusão, hipotensão, alteração aguda de consciência)
- Cardioversão sincronizada: como funciona
- Dose de adenosina na SVT
- Perguntas rápidas sobre taquicardia pediátrica
- Como saber se a taquicardia é sinusal ou SVT rapidamente à beira-leito?
- Adenosina pode ser usada em taquicardia sinusal?
- Toda taquicardia com QRS largo é taquicardia ventricular?
- Continue aprendendo
Módulo 7 · Aula 2 de 4

Taquicardia Pediátrica: Sinusal, SVT e Cardioversão
Palavras-chave: taquicardia pediátrica, taquicardia supraventricular, SVT pediátrica, taquicardia sinusal, cardioversão sincronizada, adenosina pediátrica, QRS estreito, QRS largo, algoritmo PALS taquicardia
Resposta rápida: como diferenciar taquicardia sinusal de SVT em criança?
Taquicardia sinusal tem onda P presente e variável, frequência geralmente abaixo de 220 bpm em lactentes (ou 180 bpm em crianças maiores), e história compatível (febre, dor, choro, desidratação, dor). Taquicardia supraventricular (SVT) tem início e término abruptos, frequência tipicamente acima de 220 bpm em lactentes ou acima de 180 bpm em crianças maiores, onda P ausente ou anormal, e não varia com estímulo — não melhora com choro ou manipulação como a sinusal.
Por que essa distinção muda a conduta
Taquicardia sinusal é uma resposta fisiológica a uma causa de base (febre, dor, hipovolemia, hipóxia, ansiedade). O tratamento é da causa, não da frequência cardíaca — como em qualquer avaliação primária ABCDE. SVT é uma arritmia primária e exige tratamento dirigido: manobras vagais, adenosina ou cardioversão, dependendo da estabilidade hemodinâmica.
QRS estreito vs QRS largo
- QRS estreito (< 0,09s): SVT é a causa mais provável. Segue o algoritmo de manobras vagais → adenosina → cardioversão sincronizada.
- QRS largo (≥ 0,09s): considere taquicardia ventricular (TV), mais rara em pediatria, mas potencialmente instável. Se houver dúvida diagnóstica com paciente instável, trate como taquicardia ventricular e proceda à cardioversão sincronizada.
Algoritmo PALS: criança estável vs instável
Paciente estável (perfusão preservada, sem alteração de consciência)
- Manobras vagais: gelo na face (lactentes) ou Valsalva (crianças maiores capazes de cooperar).
- Adenosina IV/IO se manobras vagais falharem — veja a dose completa em dose e uso de adenosina em pediatria.
- Reavaliar ritmo após cada intervenção, sem atrasar a próxima etapa se a anterior falhar.
Paciente instável (má perfusão, hipotensão, alteração aguda de consciência)
- Cardioversão sincronizada imediata, começando com 0,5 a 1 J/kg; se não reverter, aumentar para 2 J/kg.
- Se houver acesso IV/IO já disponível e não atrasar o tratamento, pode-se tentar adenosina antes da cardioversão em SVT de QRS estreito, mas sem retardar a cardioversão no paciente claramente instável.
- Sedação, se a condição clínica permitir e não atrasar a cardioversão em paciente crítico.
Cardioversão sincronizada: como funciona
A cardioversão sincronizada entrega o choque sincronizado com o complexo QRS, evitando disparar durante a onda T (o que poderia induzir fibrilação ventricular). É indicada para taquiarritmias com pulso e instabilidade hemodinâmica — diferente da desfibrilação assíncrona usada em FV/TVSP sem pulso. Sempre confirme no desfibrilador que o modo "sincronizado" está ativado antes de disparar.
Dose de adenosina na SVT
- Primeira dose: 0,1 mg/kg IV/IO em bolus rápido (dose máxima 6 mg), seguida imediatamente por flush de soro fisiológico.
- Segunda dose (se necessário): 0,2 mg/kg IV/IO em bolus rápido (dose máxima 12 mg).
- A administração deve ser feita no acesso vascular mais próximo do coração possível, com técnica de "duplo bolus" (droga + flush) pela meia-vida ultracurta da adenosina. Detalhes completos em dose e uso de adenosina em pediatria.
Perguntas rápidas sobre taquicardia pediátrica
Como saber se a taquicardia é sinusal ou SVT rapidamente à beira-leito?
Observe se há onda P antes de cada QRS e se a frequência varia com o exame ou o choro (sugere sinusal) ou é fixa e abrupta em início/fim (sugere SVT). Frequências extremas (> 220 bpm em lactente) e ausência de onda P visível favorecem SVT.
Adenosina pode ser usada em taquicardia sinusal?
Não. Adenosina é indicada para SVT, não para taquicardia sinusal — nesse caso, o tratamento é da causa de base (febre, dor, hipovolemia). Administrar adenosina em taquicardia sinusal não traz benefício e expõe o paciente a um bloqueio AV transitório desnecessário.
Toda taquicardia com QRS largo é taquicardia ventricular?
Não necessariamente — pode ser SVT com condução aberrante, mas em criança instável com QRS largo, a conduta prática e segura é tratar como TV e proceder à cardioversão sincronizada, sem atrasar por diferenciação diagnóstica fina.
Continue aprendendo
Veja também:
- Dose e uso de adenosina em pediatria
- Bradicardia Pediátrica: Algoritmo e Tratamento
- Ritmos Chocáveis vs Não Chocáveis
- Avaliação Primária PALS (ABCDE)
- Sinais Vitais Normais por Faixa Etária