Módulo 5 · Aula 9 de 11

Dose e Uso de Atropina em Pediatria: Guia Rápido
Palavras-chave: dose de atropina pediátrica, atropina na bradicardia, bradicardia vagal, dose mínima de atropina, atropina intubação, bloqueio atrioventricular
Resposta rápida: qual a dose de atropina em pediatria?
0,02 mg/kg IV/IO, com dose mínima de 0,1 mg (mesmo em recém-nascidos e lactentes muito pequenos, para evitar bradicardia paradoxal) e dose máxima única de 0,5 mg em criança (1 mg em adolescente/adulto). Pode ser repetida uma vez se necessário. A atropina é indicada principalmente na bradicardia por tônus vagal aumentado ou bloqueio atrioventricular primário — não é a primeira droga na bradicardia por hipóxia.
Por que existe uma dose mínima fixa
Doses de atropina muito baixas podem ter efeito paradoxal, causando um bloqueio central transitório que piora a bradicardia em vez de melhorá-la. Por isso o PALS estabelece 0,1 mg como dose mínima absoluta, independentemente de quão baixo seja o peso calculado — nunca administre menos que isso, mesmo em um recém-nascido.
Quando usar atropina na bradicardia pediátrica
A atropina é a droga de escolha quando a bradicardia tem causa provável em:
- Tônus vagal aumentado, como durante manipulação de via aérea ou laringoscopia para intubação.
- Bloqueio atrioventricular primário (disfunção do próprio sistema de condução).
- Intoxicação por organofosforados ou carbamatos (nesse contexto, doses muito mais altas e repetidas podem ser necessárias, seguindo protocolo de toxicologia).
Na bradicardia por hipóxia — a causa mais comum em pediatria — a prioridade é corrigir a ventilação/oxigenação e usar epinefrina, não atropina. Veja o algoritmo completo em bradicardia pediátrica.
Atropina antes da intubação: ainda é rotina?
O uso rotineiro de atropina como pré-medicação em toda intubação pediátrica não é mais recomendado de forma universal pelas diretrizes atuais. Considere seu uso quando há risco elevado de bradicardia vagal durante o procedimento — por exemplo, em lactentes pequenos, ou quando succinilcolina é utilizada como bloqueador neuromuscular. Avalie o contexto institucional e discuta com a equipe de via aérea.
Mecanismo de ação
A atropina é um antagonista muscarínico: bloqueia a ação da acetilcolina no nó sinusal e no nó atrioventricular, removendo o tônus vagal e permitindo aumento da frequência de disparo do marcapasso natural do coração. Por isso tem pouco ou nenhum efeito em bradicardias de causa hipóxica ou isquêmica, que não dependem primariamente do tônus vagal.
Perguntas rápidas sobre atropina em pediatria
Atropina ou epinefrina primeiro na bradicardia pediátrica?
Epinefrina é a droga de primeira linha na maioria dos casos de bradicardia sintomática, especialmente quando a causa é hipóxia. Atropina é preferida especificamente para bradicardia vagal ou bloqueio AV primário. Veja o algoritmo completo em bradicardia pediátrica.
Por que a dose mínima de atropina é 0,1 mg mesmo em recém-nascido?
Porque doses menores podem produzir um efeito paradoxal, piorando a bradicardia em vez de tratá-la. A dose mínima de 0,1 mg garante bloqueio vagal eficaz e evita esse risco, independentemente do peso calculado.
Atropina trata bradicardia por hipóxia?
Não é a droga indicada nesse cenário. A bradicardia por hipóxia responde primariamente à correção da ventilação e oxigenação, e se persistir com comprometimento, à epinefrina. Atropina tem pouco efeito quando a causa não é vagal.
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Veja também:
- Bradicardia Pediátrica: Algoritmo e Tratamento
- Função da Epinefrina na RCP
- Via aérea avançada e o mnemônico DOPE
- Via Aérea Avançada no PALS: Indicações e Dispositivos