Módulo 5 · Aula 5 de 11

Mãos com luvas cirúrgicas segurando cateter de acesso vascular fixado no dorso da mão de um paciente

Acesso Intraósseo em Pediatria: Quando e Como Usar

Palavras-chave: acesso intraósseo, acesso IO, tíbia proximal, punção intraóssea pediátrica, acesso vascular de emergência, PALS, choque pediátrico, parada cardiorrespiratória


Resposta rápida: quando usar acesso intraósseo em pediatria?

Quando o acesso venoso periférico falha após 2 tentativas ou 90 segundos em uma criança gravemente doente — especialmente em parada cardiorrespiratória ou choque descompensado, onde não há tempo a perder. O acesso intraósseo (IO) é considerado uma via de primeira linha nesses cenários, não um último recurso.


Por que o acesso IO é tão valorizado em emergência pediátrica?

Em crianças gravemente comprometidas, as veias periféricas colapsam e ficam difíceis de puncionar exatamente quando o acesso é mais urgente. O espaço medular ósseo funciona como uma veia rígida que não colaba, permitindo infusão de fluidos, hemoderivados e qualquer medicação de emergência — incluindo epinefrina — com absorção comparável ao acesso venoso central.


Sítios de punção mais usados

SítioObservações
Tíbia proximalSítio mais usado em lactentes e crianças; 1–2 cm abaixo e medial à tuberosidade tibial
Fêmur distalAlternativa, especialmente se a tíbia não estiver acessível
Tíbia distalAcima do maléolo medial
Úmero proximalMais usado em crianças maiores e adolescentes; fluxo mais rápido, mas exige identificação anatômica precisa

Indicações

  • Parada cardiorrespiratória, sempre que o acesso venoso não for imediato.
  • Choque descompensado/hipotensivo, quando o acesso periférico falha ou demora.
  • Qualquer emergência em que a criança precise de medicação ou fluido imediatos e o acesso venoso não esteja rapidamente disponível.

Contraindicações

  • Fratura ou lesão no osso escolhido (ou próxima ao sítio).
  • Infecção de pele ou tecido no local da punção (celulite, queimadura).
  • Tentativa prévia de IO no mesmo osso, sem sucesso (extravasamento).
  • Osteogênese imperfeita ou outras condições de fragilidade óssea (avaliar risco-benefício).

Como confirmar o posicionamento correto

  • Sensação de perda de resistência ("pop") ao ultrapassar o córtex ósseo.
  • Agulha fixa e estável, sem sustentação manual.
  • Aspiração de medula óssea (nem sempre presente, não é obrigatório para confirmar).
  • Infusão livre, sem sinais de extravasamento ou edema no local.

Perguntas rápidas sobre acesso intraósseo

Posso administrar epinefrina pelo acesso IO?

Sim. Todas as medicações e fluidos usados na RCP — incluindo epinefrina, amiodarona e cristaloides — podem ser administrados por via IO com a mesma dose e eficácia esperadas da via IV. Veja as doses em função da epinefrina na RCP e nos ritmos chocáveis vs não chocáveis.

Quanto tempo devo tentar o acesso venoso antes de partir para o IO?

O limite prático recomendado é 2 tentativas ou 90 segundos — o que ocorrer primeiro — em uma criança criticamente doente. Não insista além disso quando a urgência clínica (PCR, choque hipotensivo) exige acesso imediato.

O acesso IO dói na criança consciente?

A punção em si é rápida, mas a infusão de líquidos pelo canal medular pode ser dolorosa em pacientes conscientes. Considere lidocaína intraóssea (quando disponível e protocolo institucional permitir) antes de infusões maiores, sem atrasar medicações emergenciais.


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