Módulo 4 · Aula 5 de 8

Choque Séptico Pediátrico: Reconhecimento e Manejo
Palavras-chave: choque séptico pediátrico, sepse em criança, bundle da primeira hora, antibiótico precoce, reposição volêmica, noradrenalina pediátrica, vasopressor no choque séptico
Resposta rápida: qual a conduta imediata no choque séptico pediátrico?
Reconhecimento rápido + antibiótico na primeira hora + reposição volêmica com reavaliação frequente. Ao suspeitar de choque séptico (foco infeccioso + sinais de má perfusão), inicie monitorização, garanta acesso vascular, colete cultura sem atrasar o antibiótico, administre cristaloide em bolus de 10–20 mL/kg reavaliando após cada bolus, e considere vasopressor precocemente se não houver resposta adequada aos fluidos.
Por que o choque séptico pediátrico é diferente do choque hipovolêmico simples
No choque séptico há vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e frequentemente disfunção miocárdica associada — não apenas perda de volume. Por isso, embora a reposição volêmica seja essencial, ela não é ilimitada: administrar fluido em excesso em um paciente com componente cardiogênico associado pode piorar a congestão pulmonar. Esse é um dos motivos pelos quais o choque séptico é tratado como entidade própria dentro do choque distributivo, com um bundle de manejo específico.
Reconhecimento precoce
Suspeite de choque séptico diante de foco infeccioso suspeito ou confirmado associado a sinais de má perfusão:
- Taquicardia desproporcional à febre.
- Alteração de perfusão periférica: extremidades frias com enchimento capilar lento (choque frio) ou extremidades quentes com pulsos amplos e enchimento em flash (choque quente) — esta última é a apresentação inicial mais comum em crianças.
- Alteração do estado mental — irritabilidade ou letargia.
- Petéquias, púrpura ou outros sinais de doença meningocócica, quando aplicável.
- Oligúria.
Lembre-se: pressão arterial normal não exclui choque séptico — veja choque compensado vs descompensado.
Bundle da primeira hora
- Reconhecer o quadro e ativar o protocolo institucional de sepse.
- Monitorizar: cardioscopia, oximetria, PA (idealmente contínua ou frequente).
- Obter acesso vascular — periférico se possível; se falhar rapidamente, não hesite em usar acesso intraósseo.
- Coletar cultura, mas sem atrasar o antibiótico além da primeira hora.
- Administrar antibiótico empírico de amplo espectro o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora do reconhecimento.
- Iniciar bolus de cristaloide (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato), 10–20 mL/kg em 10–20 minutos, reavaliando ativamente sinais de sobrecarga (estertores, hepatomegalia, piora do trabalho respiratório) após cada bolus antes de repetir.
- Repetir bolus conforme resposta clínica, até aproximadamente 40–60 mL/kg na primeira hora, salvo sinais de sobrecarga volêmica.
- Iniciar vasopressor se não houver resposta adequada após reposição volêmica inicial — não espere esgotar todo o volume "permitido" se os sinais de choque persistirem e houver risco de sobrecarga.
Escolha de vasopressor
- Noradrenalina é frequentemente a primeira escolha no choque séptico "quente" (vasodilatado), por seu efeito vasoconstritor predominante.
- Adrenalina (epinefrina) em baixa dose é uma alternativa considerada especialmente quando há suspeita de disfunção miocárdica associada (choque "frio").
- A escolha final depende de apresentação hemodinâmica, disponibilidade de acesso central e protocolo institucional — em caso de dúvida, inicie o vasopressor disponível por via periférica ou intraóssea enquanto se providencia acesso central, sem atrasar o suporte hemodinâmico.
Cuidado com a sobrecarga volêmica
Diferente do choque hipovolêmico puro, no choque séptico a reposição de fluidos tem limite prático: reavalie ativamente após cada bolus, buscando sinais de congestão (crepitações, hepatomegalia, piora respiratória, ritmo de galope). Se presentes, pause a reposição volêmica e priorize suporte vasopressor e ventilatório.
Perguntas rápidas sobre choque séptico pediátrico
Qual o prazo para o antibiótico no choque séptico pediátrico?
Idealmente dentro da primeira hora do reconhecimento do quadro. A coleta de cultura não deve atrasar significativamente essa administração — se houver dificuldade na coleta, administre o antibiótico e colete assim que possível.
Quanto volume posso repor no choque séptico antes de considerar vasopressor?
Não há um número mágico único, mas a prática usual é reavaliar após cada bolus de 10–20 mL/kg, até cerca de 40–60 mL/kg na primeira hora — interrompendo antes disso se surgirem sinais de sobrecarga, e iniciando vasopressor se a perfusão não melhorar apesar de volume adequado.
Choque séptico sempre cursa com hipotensão?
Não. Na fase inicial (compensada), a pressão arterial pode estar normal, com taquicardia e alteração de perfusão já presentes. Esperar hipotensão para reconhecer e tratar choque séptico atrasa a intervenção — veja choque compensado vs descompensado.
Continue aprendendo
Veja também:
- Choque Distributivo: Conduta Imediata
- Choque Compensado vs Descompensado
- O que é choque?
- Intervenção no Choque
- Acesso Intraósseo no PALS