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Módulo 5 · Aula 6 de 8

Estetoscópio amarelo, máscara cirúrgica e corações de papel sobre fundo verde-claro simbolizando cuidado cardíaco

Choque Cardiogênico: Conduta e Manejo em Pediatria

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 15 de abril de 2025

Palavras-chave: choque cardiogênico, débito cardíaco, emergência pediátrica, PALS, cristaloide, ventilação, reposição volêmica, função miocárdica


Conduta Imediata (Guia Rápido)

O choque cardiogênico é um dos mais delicados. O manejo agressivo e não controlado pode piorar a função cardíaca. Aqui, cada mL e cada minuto contam.

1. Suspeite de choque cardiogênico se houver:

  • Taquicardia acentuada e persistente
  • Perfusão deficiente: extremidades frias, enchimento capilar lento
  • Sinais de congestão pulmonar (dispneia, estertores)
  • Quadro de base como miocardite, cardiopatia congênita ou arrítmias
  • Pressão arterial normal ou baixa (em fases mais graves)

2. Inicie monitorização e acesso vascular:

  • Monitor cardíaco (avaliar ritmo e frequência)
  • Oximetria de pulso
  • PA não invasiva contínua
  • Acesso periférico (se compensado) ou central/intraósseo (se hipotensivo)

⚠️ Esteja sempre preparado para acesso intraósseo em caso de falha ou demora do acesso central

3. Reposição volêmica com MUITA cautela:

  • Cristaloides isotônicos (SF 0,9% ou RL)
  • 5–10 mL/kg em 10–20 min
  • Monitorar frequentemente sinais hemodinâmicos e respiratórios

Risco elevado de edema pulmonar e piora do débito cardíaco se a infusão for rápida demais

4. Suporte respiratório:

  • Pode ser necessário CPAP, intubação e ventilação mecânica
  • Oxigenoterapia conforme avaliação clínica

Como reconhecer a hipotensão?

A hipotensão define o choque como cardiogênico hipotensivo, indicando falência dos mecanismos compensatórios.

Valores de PA Sistólica – 5º Percentil por Idade

Faixa EtáriaPA Sistólica mínima (mmHg)
Recém-nascido (0 a 28 dias)< 60 mmHg
Lactente (1 a 12 meses)< 70 mmHg
Crianças (1 a 10 anos)< 70 mmHg + (idade x 2)
Acima de 10 anos / adolescentes< 90 mmHg

Exemplo: criança de 5 anos → 70 + (5 x 2) = 80 mmHg


Guia Prático Completo

O que é o Choque Cardiogênico?

O choque cardiogênico é uma condição crítica caracterizada por perfusão tecidual inadequada causada por disfunção da bomba cardíaca.

Principais causas:

  • Cardiopatias congênitas
  • Miocardite viral
  • Miocardiopatias
  • Arritmias
  • Sepse com disfunção miocárdica
  • Toxicidade medicamentosa
  • Lesão miocárdica direta

Quadro clínico

  • Taquicardia persistente e intensa
  • Vasoconstrição periférica com extremidades frias
  • Redução do débito cardíaco (palidez, fraqueza, sonolência)
  • Resistência vascular sistêmica elevada
  • Possível congestão pulmonar (dispneia, esforço respiratório, estertores)

Volume intravascular

Diferente de outros tipos de choque, o volume intravascular geralmente é normal ou aumentado. A reposição volêmica deve ser feita com extrema cautela.

Por quê?

  • A infusão rápida pode causar:
    • Sobrecarga de volume
    • Edema pulmonar
    • Piora da oxigenação
    • Queda no débito cardíaco
    • Risco de parada cardiorrespiratória

Manejo da Reposição Volêmica

ParâmetroConduta recomendada
Tipo de fluidoCristaloide isotônico (SF 0,9% ou Ringer Lactato)
Volume inicial5 a 10 mL/kg
Tempo de infusão10 a 20 minutos
RepetiçãoCom cautela, se necessário
MonitoramentoSinais hemodinâmicos e respiratórios constantes

⚠️ Cuidado com embolia gasosa em infusão rápida


Suporte ventilatório

Pacientes com congestão pulmonar ou deterioração clínica podem se beneficiar de:

  • CPAP nasal para aliviar o trabalho respiratório
  • Intubação orotraqueal com ventilação mecânica protetora

Resumo Prático

  • Suspeite de choque cardiogênico em pacientes com função miocárdica reduzida e sinais de baixo débito
  • Reposição volêmica deve ser lenta e cautelosa
  • Monitorização contínua é obrigatória
  • Suporte ventilatório deve estar sempre disponível
  • Reavaliar após cada intervenção → volume excessivo piora o quadro

No choque cardiogênico, menos pode ser mais. Cada gota e cada minuto fazem a diferença.


Perguntas rápidas sobre choque cardiogênico

Por que o volume de fluido é menor no choque cardiogênico?

Porque o problema não é falta de volume, e sim falência da bomba cardíaca. Um bolus de 20 mL/kg (como no choque hipovolêmico) pode sobrecarregar um coração que já não bombeia bem, precipitando edema pulmonar. Por isso a dose recomendada é 5–10 mL/kg, infundida lentamente e com reavaliação constante.

Quais sinais diferenciam choque cardiogênico de choque obstrutivo?

Ambos cursam com baixo débito e extremidades frias, mas o choque obstrutivo tem uma causa mecânica identificável (pneumotórax hipertensivo, tamponamento) que, uma vez tratada, resolve o quadro rapidamente. No cardiogênico há disfunção miocárdica direta — congestão pulmonar, cardiomegalia e história de cardiopatia/miocardite são mais sugestivas.

Quando considerar inotrópicos no choque cardiogênico?

Quando a perfusão permanece inadequada apesar de suporte respiratório e volume cauteloso. A epinefrina e outros inotrópicos exigem acesso vascular seguro e monitorização contínua — a titulação deve seguir protocolo institucional.


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