Módulo 5 · Aula 1 de 11

RCP de Alta Qualidade em Pediatria: Guia Rápido PALS
Palavras-chave: RCP de alta qualidade, compressões torácicas pediátricas, frequência de compressão, profundidade de compressão, relação compressão-ventilação, retorno do tórax, fadiga do compressor, PALS, AHA
Resposta rápida: o que define RCP de alta qualidade em pediatria?
Frequência de 100 a 120 compressões por minuto, profundidade de pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax, retorno total do tórax entre as compressões, interrupções mínimas (menos de 10 segundos) e revezamento do compressor a cada 2 minutos. Esses cinco parâmetros, mais do que qualquer droga isolada, determinam a sobrevida na parada cardiorrespiratória (PCR) pediátrica.
Por que a qualidade da RCP importa mais do que parece
Compressões inadequadas — muito lentas, muito rasas, ou frequentemente interrompidas — reduzem drasticamente a pressão de perfusão coronariana, comprometendo diretamente as chances de retorno da circulação espontânea (RCE). A epinefrina e a desfibrilação só têm efeito pleno sobre um coração que está sendo perfundido de forma eficaz pelas compressões.
Frequência de compressão
100 a 120 compressões por minuto, tanto em lactentes quanto em crianças e adolescentes. Frequências acima de 120 reduzem o tempo de enchimento diastólico; abaixo de 100, reduzem o débito gerado pelas compressões.
Profundidade de compressão
- Lactentes: pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax (aproximadamente 4 cm).
- Crianças (até a puberdade): pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax (aproximadamente 5 cm).
- Adolescentes pós-puberdade: usar os parâmetros de RCP do adulto (5 a 6 cm).
Retorno total do tórax
Permitir que o tórax retorne completamente à posição de repouso entre uma compressão e outra. Apoiar-se sobre o tórax entre compressões ("leaning") reduz o retorno venoso e o débito gerado pela compressão seguinte — um erro comum sob fadiga.
Minimizar interrupções
Interrupções nas compressões — para checar pulso, ventilar, obter acesso vascular ou preparar medicação — devem durar o mínimo possível, idealmente menos de 10 segundos. Prepare a próxima etapa (dose de epinefrina, checagem de ritmo) enquanto as compressões continuam.
Relação compressão-ventilação
- Um socorrista, sem via aérea avançada: 30:2
- Dois socorristas, sem via aérea avançada: 15:2
- Com via aérea avançada (tubo orotraqueal, máscara laríngea): compressões contínuas (100–120/min), com uma ventilação a cada 2–3 segundos (20–30 ventilações/min), sem pausar as compressões para ventilar.
Revezamento do compressor
A fadiga do compressor começa a comprometer a profundidade e a frequência das compressões já nos primeiros 2 minutos, mesmo sem o socorrista perceber. Por isso, o protocolo recomenda trocar o compressor a cada ciclo de 2 minutos, com transição rápida para não prolongar a pausa.
Erros mais comuns na prática
- Compressões rasas por medo de causar fratura — a profundidade recomendada é segura e necessária para gerar débito.
- Não permitir o retorno total do tórax, especialmente quando o compressor está cansado.
- Pausas longas para obter acesso vascular ou preparar medicação, em vez de fazer isso em paralelo às compressões.
- Hiperventilação — ventilar rápido demais ou com volume excessivo aumenta a pressão intratorácica e reduz o retorno venoso, prejudicando a RCE. Veja também frequência respiratória ideal na RCP.
Perguntas rápidas sobre RCP de alta qualidade
Qual a relação compressão-ventilação correta com via aérea avançada?
Compressões contínuas a 100–120/min, sem pausar para ventilar, com uma ventilação a cada 2–3 segundos (20–30/min) administrada de forma assíncrona às compressões.
Quando trocar o compressor durante a RCP?
A cada 2 minutos, mesmo que o socorrista não sinta cansaço — a queda na qualidade da compressão ocorre antes da percepção de fadiga.
Compressão torácica pode causar fratura de costela em criança?
É um risco descrito, mas não deve levar a compressões mais rasas — a profundidade adequada é essencial para gerar perfusão eficaz, e o risco de dano por hipoperfusão prolongada supera o risco de fratura.
Continue aprendendo
Veja também:
- Ritmos Chocáveis vs Não Chocáveis
- Função da Epinefrina na RCP
- Frequência Respiratória Ideal na RCP Pediátrica
- Acesso Intraósseo no PALS