Módulo 2 · Aula 5 de 6

Médica conversando e avaliando uma menina sentada à mesa durante consulta pediátrica

Escala de Glasgow Pediátrica: Como Aplicar Corretamente

Palavras-chave: escala de coma de Glasgow pediátrica, ECG pediátrica, avaliação neurológica infantil, resposta verbal adaptada, AVPU, disability, PALS, trauma pediátrico


Resposta rápida: como funciona a Escala de Coma de Glasgow em pediatria?

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) pediátrica avalia abertura ocular (4 a 1), resposta motora (6 a 1) e resposta verbal (5 a 1), somando de 3 a 15 pontos. Em lactentes e crianças pré-verbais, a resposta verbal é adaptada para refletir comportamentos esperados por idade (choro, sons, irritabilidade), já que a criança ainda não fala.


Por que usar uma escala adaptada em crianças?

A ECG original foi criada para adultos e depende de linguagem verbal madura. Em lactentes e crianças pequenas, aplicar os critérios verbais do adulto (orientado, confuso, palavras inapropriadas) simplesmente não faz sentido — por isso a versão pediátrica troca esse domínio por respostas comportamentais esperadas para a idade, mantendo a mesma lógica de gravidade. Para consultar a escala original e sua calculadora voltada ao paciente adulto, veja a Escala de Glasgow.

Ela complementa (não substitui) o AVPU usado na etapa D (Disability) da avaliação primária: o AVPU é mais rápido para triagem inicial, enquanto a ECG detalha e quantifica o nível de consciência de forma mais granular, sendo especialmente útil em trauma craniano e monitorização evolutiva.


Abertura ocular (mesma para todas as idades)

PontosResposta
4Espontânea
3Ao som/chamado
2À dor
1Ausente

Resposta motora (mesma para todas as idades, adaptada na descrição)

PontosResposta
6Movimentos espontâneos e propositais
5Localiza a dor / retira ao toque
4Retira à dor
3Flexão anormal à dor (decorticação)
2Extensão anormal à dor (descerebração)
1Ausente

Resposta verbal — versão pediátrica (lactentes e pré-verbais)

PontosResposta
5Sorri, orientado a sons, interage, balbucia apropriadamente
4Choro consolável, irritabilidade
3Choro persistente à dor, geme
2Geme/grunhido à dor
1Ausente

Para crianças maiores já verbais, aplique os critérios verbais padrão do adulto (orientado = 5, confuso = 4, palavras inapropriadas = 3, sons incompreensíveis = 2, ausente = 1).


Interpretação da pontuação

  • 13–15: lesão/rebaixamento leve
  • 9–12: lesão/rebaixamento moderado
  • ≤ 8: lesão/rebaixamento grave — considere via aérea avançada, já que a proteção de via aérea costuma estar comprometida nesse nível

⚠️ ECG ≤ 8 é um dos critérios clássicos para considerar intubação em proteção de via aérea, mas a decisão deve sempre integrar o quadro clínico completo, não apenas o número isolado.


Perguntas rápidas sobre a Escala de Coma de Glasgow pediátrica

Qual a diferença entre AVPU e Glasgow pediátrica?

O AVPU (Alerta, Voz, Dor, Não responsivo) é uma triagem rápida de 4 categorias, usada na etapa D da avaliação primária. A ECG pediátrica é mais detalhada (3 a 15 pontos), útil para quantificar gravidade e acompanhar evolução, especialmente em trauma craniano.

A partir de que pontuação devo considerar via aérea avançada?

ECG ≤ 8 é o limiar clássico associado a perda da proteção de via aérea e indicação de via aérea avançada — sempre em conjunto com o quadro clínico geral, não isoladamente. Veja mais em intervenções de via aérea.

Como pontuar a resposta verbal de um recém-nascido?

Use a coluna adaptada: 5 se interage/balbucia apropriadamente para a idade, 4 se choro consolável/irritável, 3 se choro persistente à dor, 2 se apenas geme à dor, 1 se ausente. Nunca aplique os critérios verbais do adulto (orientado/confuso) em um pré-verbal.


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