Índice do conteúdo

Módulo 8 · Aula 3 de 8

Criança de costas levando a mão à orelha, indicando dor ou desconforto auricular

Sinais e Sintomas: o 'S' do Método SAMPLE na Prática

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 18 de abril de 2025

Palavras-chave: sinais e sintomas, método SAMPLE, avaliação secundária, anamnese, emergência, sintomas principais, triagem clínica, história dirigida


O que significa o “S” no SAMPLE?

S = Signs and Symptoms
"O que está sentindo?" é uma das perguntas mais importantes na triagem e avaliação clínica inicial.

Essa etapa busca identificar o motivo principal da consulta ou atendimento — o chamado sintoma-guia — além de explorar os sinais associados.


Objetivo dessa etapa

  • Descobrir por que o paciente está ali.
  • Determinar tempo de evolução e gravidade.
  • Direcionar exames e condutas iniciais.
  • Correlacionar com possíveis causas clínicas (ex: dor torácica + dispneia = investigar TEP).

Como perguntar?

Adapte a pergunta à idade e nível de consciência:

  • “O que está te incomodando agora?”
  • “Desde quando está sentindo isso?”
  • “Piorou com alguma coisa?”
  • “Apareceu de repente ou foi aos poucos?”

No caso de crianças pequenas ou pacientes não verbais, use observação clínica e relato de acompanhantes.


Dica prática: Use a sigla PQRST para aprofundar

LetraSignificadoExemplo de pergunta
PProvocadoresO que piora ou melhora? Ex: esforço, repouso, alimentação
QQualidadeComo é a dor? Queimação, pontada, pressão?
RIrradiaçãoA dor se espalha? Para onde?
SSeveridadeDe 0 a 10, qual a intensidade?
TTempoQuando começou? Mudou desde então?

Sintomas comuns e o que buscar

Sintoma PrincipalPerguntas DirecionadasSuspeitas principais
Dor torácicaTipo da dor? Irradia? Relação com respiração?TEP, pneumotórax, síndrome coronariana
DispneiaInício súbito? Piora ao deitar? Ruídos?Asma, insuficiência cardíaca, obstrução
FebreHá quantos dias? Com calafrios? Flutuações?Infecção, sepse
Vômitos/diarreiaQuantas vezes? Com sangue? Relacionado a alimentos?Gastroenterite, intoxicação, abdome agudo
ConvulsõesDuração? Recuperou após? Primeira vez?Crise febril, epilepsia, distúrbios metabólicos
LetargiaEvoluiu rápido? Com febre ou hipoglicemia?Sepse, hipoglicemia, intoxicação
TraumaOnde foi o impacto? Queda de altura?TCE, fraturas, hemorragia interna

E em pediatria?

Crianças podem ter dificuldade para descrever sintomas. Use perguntas simples e diretas, além de observar:

  • Expressão facial (dor, desconforto)
  • Respiração (ofegante, ruidosa, uso de musculatura acessória)
  • Nível de consciência
  • Choro inconsolável ou apatia

Resumo Prático

  • O “S” do SAMPLE é o primeiro passo para entender o quadro clínico.
  • Pergunte o que o paciente está sentindo e complemente com observação dos sinais.
  • Use o PQRST para detalhar sintomas importantes como dor ou falta de ar.
  • Em emergência, tempo é vital — direcione bem as perguntas e anote tudo rapidamente.

Sinais e sintomas guiam o caminho. Escute com atenção e observe com estratégia.


Perguntas rápidas sobre o "S" do SAMPLE

Qual a diferença entre sinal e sintoma nesse contexto?

Sinal é o que você observa objetivamente (taquipneia, cianose, choro); sintoma é o que o paciente ou responsável relata subjetivamente (dor, falta de ar). O "S" do SAMPLE reúne os dois para formar o quadro clínico completo.

O que é o mnemônico PQRST e como ele ajuda?

Provocação/paliação, Qualidade, Região/irradiação, Severidade e Tempo. Ele detalha sintomas como dor ou falta de ar, tornando a anamnese mais objetiva e comparável em reavaliações.

Em criança pequena que não fala, como colher sinais e sintomas?

Baseie-se na observação direta: padrão respiratório, choro (inconsolável ou apático), postura, cor da pele e nível de interação. Complemente com o relato dos responsáveis sobre mudanças de comportamento.


Continue aprendendo

Veja também: