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Módulo 8 · Aula 4 de 8

Menina ruiva deitada na cama assoando o nariz com lenço de papel

Alergias na Avaliação de Emergência: O 'A' do Método SAMPLE

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 18 de abril de 2025

Palavras-chave: alergias, método SAMPLE, anamnese rápida, emergência, reação alérgica, anafilaxia, história clínica, medicamentos, avaliação secundária


##⚠️ O que significa o “A” no SAMPLE?

A = Allergies (Alergias)
Uma das perguntas mais simples e essenciais da avaliação secundária — e muitas vezes esquecida.

Saber se o paciente tem alergia a medicamentos, alimentos ou substâncias pode prevenir reações graves como anafilaxia, broncoespasmo, urticária ou choque alérgico.


Por que essa pergunta é crítica?

  • Permite evitar medicamentos perigosos (ex: cefalosporinas em alérgicos a penicilina).
  • Ajuda a reconhecer quadros de reação alérgica como causa primária dos sintomas.
  • Em situações de emergência, cada segundo conta — evitar exposição é prioridade.

Anafilaxia pode evoluir para parada cardiorrespiratória em minutos.


Como perguntar?

  • “Você é alérgico a alguma coisa?”
  • “Já teve alguma reação com remédios, alimentos ou picadas de inseto?”
  • “Como foi essa reação?” (leve? urticária? precisou de hospitalização?)

Importante diferenciar intolerância de alergia verdadeira. Ex: náusea com dipirona ≠ alergia.


Tipos de alergias a investigar

CategoriaExemplos e Riscos Potenciais
MedicamentosPenicilina, dipirona, AINEs, opioides
AlimentosLeite, ovos, frutos do mar, amendoim
Substâncias químicasLátex, iodo, contrastes radiológicos
Insetos/picadasAbelhas, vespas, formigas, escorpiões
AmbientePoeira, mofo, pólen – importante em asmáticos

E se o paciente não souber?

  • Pergunte aos acompanhantes ou revise prontuários anteriores.
  • Em dúvida, evite substâncias de risco até que se esclareça.
  • Documente sempre: “Sem alergias conhecidas até o momento” ou "alérgico a X – reação Y".

Alergia documentada = conduta segura

  • Use pulseiras de alerta em pacientes alérgicos conhecidos.
  • Registre alergias no prontuário eletrônico e em prescrições.
  • Oriente o paciente (ou responsáveis) sobre evitar exposição futura.

Resumo Prático

  • A pergunta "Você tem alguma alergia?" pode evitar complicações graves e salvar vidas.
  • Sempre documente o tipo de alergia e a reação apresentada.
  • Em situações de dúvida ou falta de informação, opte pela conduta mais segura.

Na emergência, alergias não perguntadas podem virar emergências não esperadas. Pergunte, registre, proteja.


Perguntas rápidas sobre o "A" do SAMPLE

Como perguntar sobre alergias quando o responsável não está presente?

Verifique pulseiras de alerta, prontuário eletrônico e prescrições prévias. Na ausência total de informação, trate a situação com cautela redobrada ao introduzir medicamentos ou substâncias potencialmente alergênicas.

O que fazer diante de suspeita de reação alérgica em curso?

Documente o tipo de reação apresentada (cutânea, respiratória, anafilática) e priorize a estabilização imediata conforme a gravidade, seguindo o ABCDE da Avaliação Primária antes de aprofundar a história.

Alergia a medicamento é diferente de intolerância?

Sim. A alergia envolve resposta imunológica (podendo cursar com anafilaxia); a intolerância costuma ser um efeito adverso não imunológico (ex: náusea). Ambas devem ser registradas, mas o risco de gravidade é maior na alergia verdadeira.


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