Módulo 8 · Aula 7 de 8

Bebê loiro sentado à mesa alcançando uma tigela laranja com pedaços de comida

Última Refeição: O 'L' do Método SAMPLE na Emergência

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 18 de abril de 2025

Palavras-chave: última refeição, líquidos ingeridos, método SAMPLE, avaliação secundária, emergência, aspiração, sedação, intubação, cirurgia


O que significa o “L” no SAMPLE?

L = Last Meal (Última Refeição ou Líquidos Ingeridos)
A última refeição ou líquidos ingeridos pode ter um grande impacto nas decisões clínicas, especialmente quando a conduta envolve intubação, sedação ou procedimentos invasivos.

Essa pergunta tem um papel fundamental no risco de aspiração, tempo para jejum antes de cirurgia e até no manejo de condições clínicas agudas.


Como perguntar?

  • “Quando foi sua última refeição?”
  • “O que comeu ou bebeu?”
  • “Você ingeriu algo sólido ou líquido?”
  • “Você está em jejum há quanto tempo?”

Importante: Perguntar também sobre líquidos. Muitos pacientes bebem água ou líquidos claros, o que pode alterar o risco de aspiração.


Por que saber sobre a última refeição é tão importante?

  • Aspiração: Se a refeição foi recente, existe maior risco de aspiração durante a intubação ou ventilação.
  • Jejum e cirurgia: Muitos procedimentos exigem que o paciente esteja em jejum absoluto por pelo menos 6-8 horas para reduzir o risco de aspiração pulmonar.
  • Tempo para intubação e sedação: Quanto mais próxima da última refeição, maior a necessidade de precaução antes de procedimentos que envolvem sedação ou anestesia geral.

O que considerar no caso de líquidos ingeridos?

  • Líquidos claros (ex: água, chá, suco sem polpa): Geralmente considerados de baixo risco para aspiração.
  • Líquidos espessos ou com sólidos (ex: leite, smoothie): Maior risco de aspiração, e requer precauções adicionais.
  • Álcool: Pode atrasar a percepção de sinais vitais e interagir com medicamentos, aumentando o risco de depressão respiratória.

Exemplos práticos de importância clínica

  1. Paciente com trauma abdominal:

    • Última refeição há 1 hora → maior risco de aspiração em intubação.
    • Importante que o paciente não ingira mais líquidos até avaliação e conduta.
  2. Criança com febre e dor abdominal:

    • Última refeição há 4 horas → menor risco imediato de aspiração.
    • Consideração para avaliação de necessidade de cirurgia e anestesia.
  3. Paciente com convulsões:

    • Última refeição há 6 horas → possibilidade de aspiração se houver necessidade de sedação ou intubação para controle.

Jejum e risco de aspiração

  • Jejum adequado antes de sedação ou cirurgia: Pacientes com jejum menor que 6 horas (alimentos sólidos) ou 2 horas (líquidos claros) têm maior risco de aspiração pulmonar.
  • Jejum prolongado pode aumentar o risco de hipoglicemia ou desidratação, exigindo avaliação cuidadosa.

Importante: Pacientes que ingerem alimentos ou líquidos próximos de um procedimento precisam de cuidados especiais, como o uso de anti-ácidos ou preparação do trato digestivo.


Resumo Prático

  • Saber quando e o que o paciente comeu ou bebeu é essencial para avaliar riscos, ajustar o manejo de emergência e prevenir complicações.
  • A última refeição impacta diretamente na decisão sobre jejum para anestesia, risco de aspiração e condutas durante a intubação.
  • Para cirurgias ou sedação, mantenha o protocolo de jejum de 6-8 horas para sólidos e 2 horas para líquidos claros.

Em emergências, saber o que foi ingerido não é apenas sobre a refeição, mas sobre a segurança do paciente.


Perguntas rápidas sobre o "L" do SAMPLE

Qual o jejum mínimo recomendado antes de sedação ou intubação eletiva?

Geralmente 6 horas para sólidos e 2 horas para líquidos claros. Em emergências, esse jejum ideal muitas vezes não é possível — nesses casos, trate o paciente como estômago cheio e adote precauções para reduzir risco de aspiração.

Por que perguntar sobre a última refeição é urgente em intubação de emergência?

Porque o risco de aspiração pulmonar é maior quando o jejum é menor que o recomendado. Isso influencia a técnica de indução, a necessidade de manobras de proteção e a preparação para aspirar secreções gástricas.

Jejum prolongado também traz riscos?

Sim. Pode causar hipoglicemia e desidratação, especialmente em lactentes e crianças pequenas, exigindo avaliação cuidadosa da glicemia e do estado de hidratação antes de qualquer procedimento.


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