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Módulo 8 · Aula 5 de 8

Mãos de duas crianças estendidas segurando diversos comprimidos e cápsulas coloridas

Medicamentos em Uso: Investigando o 'M' do Método SAMPLE

Por Carlos Felipe Médico, CRMMG 105.721 · Publicado em 18 de abril de 2025

Palavras-chave: medicamentos em uso, método SAMPLE, avaliação secundária, emergência, história clínica, interações medicamentosas, intoxicação, adesão ao tratamento


O que significa o “M” no SAMPLE?

M = Medications (Medicamentos em uso)
Saber o que o paciente está tomando é fundamental para compreender o quadro atual, evitar interações e adaptar a conduta médica.

Essa pergunta ajuda a identificar desde efeitos adversos até intoxicações ou falhas terapêuticas.


Como perguntar?

  • “Você faz uso de algum medicamento regularmente?”
  • “Tomou algum remédio hoje ou nos últimos dias?”
  • “Alguém aplicou ou deu algum remédio em casa?”
  • Em pediatria: “Ele está usando alguma medicação? Tomou algo diferente hoje?”

Não esqueça de perguntar sobre fitoterápicos, vitaminas, chás ou uso de substâncias recreativas.


O que você pode descobrir com essa pergunta?

AchadoImportância clínica
Medicamento causador do quadroEx: superdosagem de insulina, intoxicação por paracetamol
Medicação mal utilizadaErro de dose, via ou intervalo
Interações medicamentosasEx: uso conjunto de AINE + IECA → insuficiência renal
Falta de adesãoCrises de asma, epilepsia, hipertensão descontrolada
Medicações contraindicadasNecessidade de ajuste na prescrição emergencial

Exemplos práticos

1. Criança com crise convulsiva

  • Em uso irregular de fenobarbital → crise por suspensão abrupta.

2. Paciente com rebaixamento do nível de consciência

  • Tomou dose excessiva de benzodiazepínico (ex: diazepam) → intoxicação.

3. Dor abdominal e vômitos

  • Uso crônico de AINEs sem proteção gástrica → úlcera ou gastrite medicamentosa.

Perguntas complementares úteis

  • Dose, frequência e via de administração?
  • Última dose tomada?
  • Alguma troca de medicamento recente?
  • Receita médica ou automedicação?

Muitas famílias levam a medicação consigo — verifique bulas, frascos, etiquetas.


E quando não souberem?

  • Se o paciente ou acompanhante não souber os nomes, anote descrições visuais (ex: “comprimido branco, redondo, tomado à noite”).
  • Tente acessar o prontuário eletrônico, receitas antigas ou farmácia onde compram.

Resumo Prático

  • Saber quais medicamentos estão em uso ajuda a entender o motivo do atendimento e previne erros.
  • Pergunte de forma ampla: remédios, chás, pomadas, colírios, vitaminas, drogas recreativas.
  • Documente o nome, dose, via, horário e regularidade de uso sempre que possível.
  • Nunca subestime o papel da automedicação ou uso incorreto na origem do quadro clínico.

Remédio pode curar, mas também pode ser a causa da crise. Saber o que foi tomado é parte do diagnóstico.


Perguntas rápidas sobre o "M" do SAMPLE

Além de remédios prescritos, o que mais devo perguntar?

Inclua chás, pomadas, colírios, vitaminas, suplementos e substâncias recreativas. Muitas famílias não consideram esses itens como "medicamento" e só os relatam se a pergunta for feita de forma ampla e direta.

Como registrar medicamentos quando o nome exato não é lembrado?

Anote a descrição visual (cor, forma, horário de uso) e tente confirmar via prontuário eletrônico, receitas antigas ou a farmácia habitual. Essa informação parcial ainda ajuda a orientar a investigação.

Uso irregular de medicação pode causar a emergência atual?

Sim — tanto a falta de doses de medicação crônica (ex: anticonvulsivante) quanto o excesso ou combinação inadequada podem precipitar o quadro. Sempre investigue a regularidade do uso, não apenas o nome do fármaco.


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